Eu nunca tinha parado para pensar sobre a palavra “independência”, já que comemoramos neste dia 7 de setembro, a Independência do Brasil; aí me veio a questão da diferença entre Liberdade e Independência.
O que mais me lembro desta data, é a minha infância, onde cantávamos na escola, o hino da independência que tem o início, “Já podeis, da Pátria filhos…” e depois cantarolávamos no pátio, uma paródia com a letra trocada que dizia, “Japonês tem quatro filhos…”; coisas de criança que nos trazem saudades, não da data, mas da liberdade; liberdade que trazia felicidade: liberdade das marcas de roupas e tênis, porque o meu tênis “Conga”, de cor azul marinho ou branco, que minha mãe comprava no supermercado do Português, perto de casa na Vila Progresso, era para mim o mais lindo e de melhor marca; e lá ia eu, de tênis “Conga”, calça “Adidas genérica”, camiseta branca (nem precisava ser Hering) e um super sorriso no rosto, destacando as bochechas vermelhas do gordinho, que desfilava com a fanfarra da escola “Ezequiel”, descendo a Avenida Pereira da Silva, como se estivesse, na “Esplanada dos Ministérios” (eu prefiro a Pereira da Silva; rrss).
Talvez o leitor esteja perguntando agora: “..mas, porquê ele está falando de “liberdade”, quando o dia é da “Independência”? eu respondo: porquê para mim, apesar de intimamente ligadas, elas tem sentidos diferentes.
Saindo da minha máquina do tempo, hoje posso ver, que a maioria de nós, adultos, ou até as crianças também, apesar de termos a “liberdade”, privamos à nós próprios da “independência”; porquê nos escravizamos por pessoas, produtos, aparências, modas e outras coisas e fatores, que na maioria das vezes nem percebemos.
Não ser da moda hoje é fora de moda, apesar das variedades de “tribos” e estilos; então, temos que fazer parte de uma dessas “tribos”; certo? Não na minha visão.
Vamos gritar pela independência contra opinião alheia que quer nos escravizar, vamos gritar pela independência de poder votar o “nosso” voto, não pela maioria, mas pela nossa opinião, mesmo que o meu candidato tenha apenas o meu voto; vamos gritar pela independência contra as grandes redes, porquê o “mercadinho” do meu bairro também tem atrativos para eu comprar; vamos gritar pela independência contra o jornalismo “engarrafado” de algumas rádio e TVs ditados por regras e dinheiro de alguns grupos políticos; vamos gritar pela independência contra a atitude de alguns líderes religiosos que manipulam o voto, manipulam a vestimenta, manipulam a linguagem, criando dialetos “gospel”, mesmo porquê, ser bom e descente, está na consciência de cada um que precisa “fazer o que é certo” e não “seguir o que os outros acham que é certo”, porquê Deus nos dá a “liberdade” para de forma “independente”, fazermos as escolhas que são melhores para nós e que influenciam direto à aqueles que amamos.
Que a nossa independência influencie o mundo, pois como diz nas escrituras, “um candeeiro não pode ficar escondido, pois sua luz tem que resplandecer sobre a terra” .
No dia que dermos o grito de independência, mostraremos que não há idade para amar, veremos que não é vergonha ser humilde, que a maior vergonha é parar de lutar; quando dermos o grito de independência, teremos uma política mais séria, porque não vai ser uma promessa de emprego, uma vaga numa escola, um beijo ou aperto de mão de um político famoso, que vai influenciar meu voto e minha decisão, pois a “liberdade” de agir eu tenho, só me falta a “independência” das tradições vãs; ou como diz a personagem do programa humorístico, Lady Kate, “..só me falta-me o gramur (glamour)..” rrss; o glamour de ser corajoso, o glamour de ser justo consigo e com as pessoas, o glamour de gostar de alguém mesmo que outros falem mal dessa pessoa, o glamour de não beber ou fumar porquê os outros acham bonito, o glamour de não ser um ator ou uma atriz durante toda a vida, fazendo tipo e sendo o que não somos, o glamour de chorar sem ter vergonha, de rir quando tiver vontade, pois ter atitude e ser independente de verdade, pode ter certeza que é chic.
Hoje ouvimos tantas marchas, paradas e protestos, como a parada gay, a caminhada pela igualdade da mulher, a marcha para Jesus e muitos outros movimentos buscando sua independência e seus direitos; mas como é que se luta por tudo isso, se ainda não se buscou a própria independência de coisas pequenas e não se marchou contra a corrupção, contra o maldito voto de protesto que elege aberrações políticas, contra o caos do trânsito, contra a devastação das florestas ou contra a violência e abandono dos idosos. Cada um tem a sua própria verdade mas estamos construindo a casa pelo teto, pois todos somos de “carne e osso” e precisamos antes de buscarmos a independência coletiva, temos a necessidade de encontrarmos a independência e felicidade pessoal. Como se luta por movimentos para incutir o que achamos ser certo para os outros, quando não percebemos ainda que a sexualidade é pessoal, que a mulher é a força e a maravilha de Deus em nossas vidas, e que antes de marcharmos para Jesus temos que tê-lo intimamente no coração.
No dia em que as pessoas gritarem pela independência contra o medo, teremos menos gente depressiva por amores não correspondidos, pois é preciso abrir a boca e falar; no dia em que gritarmos pela independência, vamos nos abraçar sem medo, onde pais abraçarão filhos, amigos se abraçarão, irmãos não terão medo de se abraçarem em público, sendo assim que pela demonstração de afeto pelas pessoas sendo tão grande, confundiria os “pit boys” ou “pit trouxas”, que espancam as pessoas pelo simples fato de demonstrarem afeto em público, não sabendo que grau de parentesco ou afeto possuem, generalizando e batendo em quem faz o certo, inserindo o medo nas pessoas, fazendo-as acreditar que demonstrar amor, está errado.
Ser independente e não ter vergonha do que faz ou mudar a vida num giro de trezentos e sessenta graus, tirando a armadura da hipocrisia e a máscara do medo, pode ser um grito de proporções tão grandes, que daria inveja à Dom Pedro I.
Monte sua fanfarra da liberdade de expressão, monte em seu cavalo da coragem ou Vista sua camiseta “Hering”, sua calça “Adidas genérica” e seu tênis “Conga” e marche para a sua independência, pois liberdade já temos e o que importa é ser feliz.
Hidalgo Netto




